sexta-feira, 22 de abril de 2016

LEITURAS - "Viagem ao país da manhã"


Mais um livro terminado.
"Viagem ao país da manhã", de Hermann Hesse, é um pequeno livro (87 páginas) que se lê de uma penada.
Está escrito de uma forma interessante, ali na margem do alucinado e do surreal, mas aqui e ali bastante poético e igualmente revelador de alguns sinais que acompanham a vida humana, entre o liso e a psique, não raras vezes tão de mãos dadas.
Não foi nem de perto nem de longe um dos melhores que li, mas, como costumo dizer, foi simpático e muito longe de ser tempo deitado fora.

terça-feira, 19 de abril de 2016

RÁDIO CALHAU

Mudar depressa!
Esta música, dos portugueses Fingertips, marcou-me há dez anos, altura em que terminou um ciclo de outros tantos anos em Caldas da Rainha.  (1996 - 2006).
Por mais que viva, é esta a banda sonora do meu último ano naquela cidade.

domingo, 17 de abril de 2016

LEITURAS - "As velas ardem até ao fim" de Sándor Márai

Terminei há dias a leitura de mais um livro.
"As velas ardem até ao fim", do húngaro Sándor Márai é um livro absolutamente fantástico.
Por vezes desconfio das "críticas" que surgem algures nos livros, tentando de algum modo vendê-los e aos seus autores... Só quando chego ao fim o confirmo ou não e nem sempre concordo, mais vezes por defeito do que por excesso.
E sim, tal como diz na capa, trata-se de uma obra incomparável!
Por entre largas dezenas de livros que li nos últimos anos, este destaca-se, não só pela forma como está escrito, mas sobretudo pelo seu conteúdo, pela sua dimensão humana e antropológica.
Durante o livro (153 páginas) assiste-se a um quase monólogo do General, um homem direito e íntegro, que desata um enredo que o envolve, ao seu melhor amigo (Konrad) e à sua esposa (Krisztina).
Chega-se ao fim do livro com a perceção da dimensão não mensurável da amizade e de como ela será, sem grande margem para dúvidas, a mais forte forma de amar, resistente a tudo - traição e morte.
Um livro arrebatador, a espaços comovente e que vale MUITO a pena ler!

domingo, 10 de abril de 2016

DOS DIAS NO CALHAU [123] - 12,5km entre o Norte e o Sul do Leste da Madeira

Partilho com os meus leitores algumas fotografais obtidas durante uma caminhada de pouco mais de uma dúzia de quilómetros, algures entre as imediações do Porto da Cruz - costa Norte da Madeira e Machico, na costa Sul.
Uma percurso entre escarpas de beira mar, montanhas e veredas verdejantes e a beira mar da cidade de Machico.






A ilha do Porto Santo, ao longe (uns 40 km...)








 Machico.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

OS PAPÉIS DO MUNDO


Não me espanta meio átomo esta "coisa" dos "papéis do Panamá". Pessoalmente, na escala de escândalos e de 0 a 20, vale um consistente 1...
Na Marinha de Guerra, Panamá é o chapéu que os praças usam no dia-adia, na farda de serviço, digamos. Está ali na prateleira da indumentária específica da vida militar da Armada, mas, dentro dela, na zona do básico, do vulgar...
Neste caso, o Panamá é um país da América Central, que tem de mais famoso um canal que liga o Atlântico ao Pacífico, sem que se tenha de ir à Patagónia dar uma curva para trocar de oceano.
Consta, de há dias, que correm pelo canal e adjacências uns papéis, todos muito graves, que põem a descoberto algo que nunca ninguém ousou pensar que acontecesse, isto é: corrupção, lavagem de dinheiro, fuga aos impostos, offshores - of course! - trafulhices várias. Coisas de que ninguém suspeitava, repito, coisas absolutamente originais na história do Homem que foram, finalmente, dadas à luz ofuscante deste mundo de encantados.
Os nomes que por lá andam, entre conhecidos, pouco conhecidos e desconhecidos são aqueles, como poderiam ser outros e o grau de indignação seria igual, porque a moral é ingénua, rousseauniana e pura como a água de uma nascente.
O Homem é naturalmente selvagem e diz-se "domesticado" por opção. Felizmente que nem todos são de uma maneira e de outra e é a variedade faz a riqueza do conceito, por mais bizarra que seja esta conceptualização tão maniqueísta.
Uma parte do mundo está ofendidíssima com uma prática que não desfaz a barba há séculos, mas esta indignação decretada e politicamente correta é sobretudo manipulada pelo afã mediático e pelo apelo à sensação das redes sociais e da comunicação ao segundo. A medição da sua eficácia e alcance é feita pelo insulto e pelas mãos a bater no peito, em forças ajustadas.
Se a prática agora destapada pelos papéis é condenável? É, claro!
Se é normal? É, porque o Homem é selvagem e na selva, adore-se ou deteste-se, é a sua lei que prevalece, por mais que queiramos que não.
Depois surgem no ângulo da curva os reguladores. Por cá são o Bloco de Esquerda e outros partidos que se (auto) medem por uma escala de "ofensas" ao mundo e seus habitantes, com aquela indignação seletiva e a pataco, que quer regular a coisa, seguramente com a mesma probabilidade de sucesso e necessidade que um implante dentário em galinhas proporcionasse nas ditas.
Já há muitos anos que o mundo é um lugar bastante mal frequentado e não perceber isto é ingenuidade a mais, diretamente proporcional à berraria que entretanto se instalou.
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Nota: Esta opinião, criticável, assenta apenas na minha crescente descrença na Humanidade. E essa descrença aumenta na mesma proporção do meu tempo de vida neste planeta. Sempre que não consigo fechar os olhos e fingir-me de morto, todo este pessimismo pessoal só se adensa e não se dilui. E não se me escapa - por mais que o queira - a expressão: "O Homem tem dentro de si a sua própria destruição."
Antes, durante e depois dela, está quase tudo dito.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

O CORSÁRIO DE TIROL


Sofres do mesmo problema que eu, ou então, sofro do mesmo problema que tu e aqui a ordem das parcelas não padece da comutatividade da soma porque somos uma diferença que somada resulta em estranheza, ou subtraída aumenta as certezas e estes anos todos depois, ainda não sei bem qual sinal usar nesta operação de peito aberto, sem bisturi, sem linha de coser ou máscara que trave as palavras da boca, sem especialista, associado ou em regime solo.
Estava sol, aquele sol rijo que como uma picareta desconta na capilaridade que ainda não nos afetou por aí além, sendo que tinhas a imensa vantagem do chapéu, um chapéu tirolês e nem tu nem eu na Áustria, nem sequer perto, mas tirolês ou de cowboy de Nevogilde da cidade donde vinhas e se não for Nevogilde, trata de alterar no texto porque não domino a divisão administrativa do Porto, nem tão pouco as freguesias que recentemente se agruparam naqueles grupos abstrusos de administrações, capazes de baralhar a toponímia que tanto te (a)gasta a moleirinha e o obturador da máquina de fotografar, naqueles circuitos de sábado e domingo onde substituis as ausências que entretanto se acomodaram na mala de viagem que é a vida.
E o colete?
Não era anti-balas mas pelo peso do simbólico metal aéreo nele apenso, nenhum projétil o perfuraria e por isso causaria o menor estrago no teu físico modesto que se passeava sem rédea
       - Rédeas tem os cavalos, ó Equídeo! - poderias dizer tu e eu embrulhar à pressa...
pelo cimento daquele lugar plano e a primeira coisa que vi foi o chapéu que foi nascendo ao longe por detrás do cimento, ondulado pelo calor latente e que a medida dos passos foi revelando em restante figura alucinada, a que apenas os óculos podiam fazer mais comedida e catalogável, a bem dizer uma espécie de alma gémea, não por via das carnes, mas por obra de um desígnio comum que ainda hoje perfura metódico a membrana das conversas, das frases, do livro que arrastas preso pela vontade e uma letra, e um número e outra letra, o velho corsário de espada em riste, um chapéu tirado a fotocópia daquele que te encimava solene a cabeça de caracóis, o cheiro a combustível, o silvo dos motores, o cortejo fúnebre, as lágrimas no saquinho ao canto dos olhos, de onde fomos tirando na vergonha dos embaraços públicos, o cortejo dos finados, a emoção do corte a certeza maldita que algo terminava ali, a insuspeição de que algo começava igualmente ali e repara nos anos, repara já nos 17 anos, são quase vinte, somos quase dois velhos a contar os anos sobre as conversas, o riso, os encontros, as cervejas, o velho corsário sempre a pairar com a sua espada de ponta afiada, capaz de nos decapitar de um golpe, incapaz de perceber que foi ele que nos juntou, digamos, no calor do cimento, no dia da dolorosa morte do aglutinante que ainda hoje, 17 anos depois
      - parecemos dois velhos, rapaz, já viste!
continua colado às cartilagens, embrenhado nos refegos da memória e nenhuma cirurgia, nenhum Hospital, nenhuma maca, nenhuma patologia reconhecida
     - parecemos dois velhos, ou ainda não se nota?
o retiraria, nem no jeito milimétrico dos ourives, nem no trambolhado método da esfregona em emulsão de lixívia, água e força de braços.
Em bom rigor, há sempre um chapéu que nos defende, porque sofremos do mesmo problema e por isso sabemos bem que o problema não seria ninguém se nós o chutássemos com aquela secura dos bacalhaus a pataco, que nenhuma amizade compraria, por mais sol que derretesse o cimento de onde apareceu o teu chapéu de cowboy de Ramalde, há 17 anos, rapaz, há 17 anos.
Se calhar por isso é que parecemos velhos!
Parecemos.
Só.
©António Luís

quinta-feira, 24 de março de 2016

LEITURAS - "PAISAGENS ORIGINAIS" de Olivier Rolin


Terminei hoje a leitura de mais um livro, o 5º da conta de 2016.
Trata-se de um pequeno livro de bolso, parte de uma coleção denominada "Pequenos Prazeres" que, se a memória não e falha, foi lançada por uma revista semanal como "oferta", naquelas promoções típicas de "apelo" à leitura.
Adquiri o livro por 1 euro, numa feira solidária na escola onde leciono.
Já conheço a escrita de Olivier Rolin. É já o terceiro livro dele que me passa pelas mãos em leitura. É clara, simples e escorreita.
Depois de "O meu chapéu cinzento" e "O Meteorologista", li, pois, este "Paisagens originais".
Trata-se de uma pequena viagem de 125 páginas, ao universo de cinco grandes escritores. Hemingway, Nabokov, Borges, Michaux e Kabawata, às suas paisagens originais, digamos.
O livro valeu, sobretudo, por levantar um pouco - o possível - relativamente a cada um dos cinco autores e ao modo como eles se relacionaram em termos literários, embrenhados no tempo muito específico em que viveram e produziram a sua obra.

sábado, 19 de março de 2016

MINI DROGADOS


Há dias, na entrada para mais uma aula, um aluno - vou chamar-lhe V. - surgia-me a alguns metros da porta da sala, absolutamente eufórico, aos saltos, elétrico e, como ele próprio disse "Hiperativo, professor! Sou hiperativo!"
No lapso de tempo entre a entrada dos alunos e o início da aula, surge o V. no limbo da porta, dois ou 3 minutos atrasado, já com todos os colegas sentados, preparando as respetivas áreas de trabalho.
Naquele afã e pelo meio de mais 19 cabeças, não me apercebi da ausência de V.
O hiperativo V., do alto dos seus 12 anos, quando interpelado por mim acerca do seu atraso disse, num riso de riscas amareladas, embaraço por disfarçar e um fio de vergonha a sobrar dos bolsos: "Fui à casa de banho 'tomar a pastilha'!"
A pastilha é, não o disfarcemos, a atual e recomendada droga de muitas crianças.
O hiperativo, eufórico e elétrico V., em poucos minutos, tornou-se num amorfo, parado e desligado V., um  ser humano petrificado, sem brilho nos olhos, a catrapiscar tristeza e apatia absolutas.
V. foi à casa de banho "drogar-se", porque a sua alegria, a sua eletricidade e até o seu entusiasmo não são benvindos à sala de aula nem às aprendizagens, nem, seguramente, à paciência gasta dos adultos.
O mesmo já não se pode dizer da sua pueril dependência desta(s) droga(s) insana(s), que são administradas sob caução e conselho, e cujas consequências deverão ser apuradas mais tarde, quando a vida vier, sem aviso prévio, bater à porta com aquela dureza implacável da realidade.

terça-feira, 15 de março de 2016

O ORDEM DO BRASIL


"Ordem e progresso" é a máxima pespegada na bandeira do Brasil.
As notícias que chegam do lado de lá deixam perceber que a "ordem" é a falta de vergonha e o "progresso" é a situação que evolui, sim senhor, mas no sentido do costume.
O statos quo político põe e dispõe, independentemente dos milhões de vozes que soltam o clamor pela justiça e pela decência.
Aos atuais políticos brasileiros, que estão no bom caminho para fazer da antiga ditadura uma coisa até para o "leve", penso que está na hora de mudar de povo!

segunda-feira, 14 de março de 2016

DOS DIAS NO CALHAU [122] - O Sol nas manhãs e nas tardes

Algumas notas fotográficas para o nascer do Sol de hoje, 14 de março de 2016 e do ocaso de ontem, domingo, 13 de março do ano da graça de Deus Nosso Senhor de 2016.




Por do Sol de 23.03.016



Nascer do Sol de 14.03.016