terça-feira, 7 de Outubro de 2014

DOS DIAS (FORA) DO CALHAU (111) - Coimbra - I

Coimbra faz lembrar aquelas senhoras já idosas, que ao longe parecem bem vestidas, bem arranjadas, cujo "conjunto" se revela como uma "instituição" respeitável.
Depois, quando nos aproximamos, essa construção descamba para um certo ar decadente, remendado, mas que, ainda assim, se continua a impor sem discussão.
Nos últimos 15 anos, a cidade perdeu população e nos últimos 30, importância no todo nacional. A este facto não será alheia a crise, autarcas medíocres e uma Universidade fechada em si e nos seus bolores. Depois, dos 30 mil estudantes, poucos ficam e muitos partem porque há falta de trabalho e suporte empresarial na urbe e região que os prenda. Tudo são fatores que se têm congregado e provocado esta espiral recessiva da cidade.
Dos 150 mil habitantes que a cidade contava à entrada do século XXI, em 2014 estima-se que a população esteja em 140 mil habitantes.
Independentemente de todas essas perdas e desenganos, a cidade mantém a sua matriz de "velha senhora", decadente, antiga, conservadora, pasmada, de permanente e muita laca, fumando na beira Mondego num vagar de nadas.
E também por isso, nunca deixa de ser uma bela cidade. Uma vez gostando, gosta-se sempre e para sempre.












domingo, 5 de Outubro de 2014

DOS DIAS (FORA) DO CALHAU (110) - A minha aldeia

A minha aldeia, de nome "Telhado", é uma pequena povoação com cerca de 350 habitantes, situada no concelho de Penacova, a 10 km desta vila e a escassos 18 km da cidade de Coimbra.
Está situada numa suave encosta, cerca de 150m acima do nível do mar e o aglomerado de casas é constituido por aproximadamente 150 fogos.





Algumas casas do centro do povoado estão vazias e a povoação tem-se espalhado pelos terrenos, abandonando a matriz tradicional das casas ao longo das ruas, "coladas" umas às outras.
Existem muitas vivendas, "isoladas", rodeadas dos tradicionais relvados, algumas com piscina e já não todas com um quintal anexo, uma vez que a proximidade às grandes superfícies comerciais, sobretudo de Coimbra, acabou por fomentar o abandono das pequenas culturas e hortas e à pouca propensão da população mais jovem para o trato da terra.


Durante o dia, a povoação "desertifica-se", uma vez que a força de trabalho se desloca para Coimbra e para alguma indústria existente em algumas zonas relativamente perto. Permanecem as "donas de casa", os reformados e umas poucas pessoas que trabalham em pequenas indústrias estabelecidas na aldeia, ou perto dela comércio (um café e mini-mercado, uma loja de mobiliário) - serviços (cabeleireiros e engenharia florestal, mecânica e pintura automóvel) e agricultura.
Ao fim da tarde, volta a ganhar população, dando substância a um certo estatuto de "dormitório", tanto de Coimbra, como das aludidas zonas industriais.
Seja como for, mantém um certo recato e uma certa tranquilidade, que lhe conferem excelente qualidade de vida.

sábado, 4 de Outubro de 2014

DOS DIAS (FORA) DO CALHAU (109) - Aldeias de Penacova


Telhado

Agrêlo

Sazes do Lorvão

Contenças

Csa de Santo Amaro até Penacova

Casal de Santo Amaro e ao fundo Penacova.


Casalito


Casal de Santo Amaro


Penacova

domingo, 28 de Setembro de 2014

PS: APREENSÃO DOMINICAL













Hoje no PS, vai ser escolhido aquele que, provavelmente, será um (muito) potencial Primeiro-Ministro de Portugal 
     ou do que dele resta
daqui por um ano...
A comunicação social estabelecida está ufana por via das vendas e, portanto, é o foguetório de logo mais à noite, bem como a medição do respetivo comprimento dos falos candidatos que lhe interessará. O país e o "projeto" que os cavalheiros tem para ele/para nós pode esperar.
Portanto, o domingo está estragado.
Não vislumbro em nenhuma daquelas criaturas capacidade para transformar o país em nada de melhor e, vistas bem as coisas, naquilo que ele nunca foi, pelo menos de há 40 anos para cá. 
Esta não expectativa assentará, seguramente, na minha pessoal e total descrença na política e seus "praticantes". Foi algo que se foi construindo ao longo de anos a perceber para onde estivemos a ser levados
     cantando e rindo
como se nos estivessem a tratar da vida e do futuro
     e hoje, como sempre, pobretes e alegretes
connosco caucionando os sucessivos governos com uma mão - por via do voto - e com a outra, cerrando o punho e berrando contra o despautério político reinante, de gatunos, vigaristas e de maternal e duvidosamente filiados para baixo.
A fatura está aí e a "esperança"
     Pasmemos!
tem a cara de um dos cavalheiros que hoje se submetem a um escrutínio aberrante.

sábado, 27 de Setembro de 2014

MEO NOS

Por vezes dou por mim algo "perdido" em reflexões sem aparente interesse
     ou sendo eu o meu próprio interessado
tratando de colocar o pensamento nos trilhos e elaborar cogitações que valha a pena partilhar.
Ora, há dias dei por mim a refletir no nome/designação das duas grandes empresas nacionais de distribuição de conteúdos e comunicações, a "MEO" e a "NOS".
Provavelmente já alguém aqui chegou e esta reflexão será absolutamente serôdia mas, mesmo que tal tenha acontecido, tratarei de vos explicar o meu ponto de vista fruto, como disse, de um certo pensamento vadio, errático, em fuga dos "óbvios assuntos" dos dias.
MEO reporta para o "egoísmo". MEO = Meu. NOS remete para o coletivo. NOS=Nós. Por aqui a concorrência funciona em extremos ou posições bem definidas.
Como referi, um remete para um certo egoísmo, no sentido em que o individuo dispõe e domina os instrumentos comunicacionais, ligando-se num certo egocentrismo/individualismo. Telefones, telemóveis, TV, internet, tudo meu!
O outro "defende" o coletivo, o estar ligado e em plural.
Não me interessa
     porque nenhuma das marcas mo pediu
defender quem quer que seja mas as associações sugerem-se e destapam-se a elas mesmas.
Desconheço a tramitação que levou à "invenção" da designação destas marcas, mas elas são o espelho da atual sociedade que, tal como o MEO e o NOS, oscila entre o eu e o nós. Mas o mais preocupante
     ou então sou apenas eu que o acho preocupante
é que em qualquer dos casos, a presença física na comunicação é substituida pelo virtual ou por uma distância que não comporta nem permite o cheiro, o calor, o olhar, o toque. É um embrutecimento "feliz" que está em marcha, com os intervenientes felicíssimos por possuirem os poderosos instrumentos para "suportar" a vida atual, a falta de tempo, a contemplação do umbigo, do carro...
Como as nossas vidas são tão ocupadas, cheias de máquinas que nos "facilitam" a vida para, suposta e desejavelmente termos mais tempo, os instrumentos de comunicação "oferecidos" por estas entidades surgem como uma espécie de redenção das distâncias, dos silêncios e dos medos, muitos deles para serem - supostamente? - vencidos com a mesma receita que 
     em parte
os provocou.
E assim se fecha o círculo.

sábado, 20 de Setembro de 2014

CRÓNICA ESCARLATE

O que se passa é que esta crónica anda aqui a rebolar-se na cabeça há dias, há semanas, presa por amarras que mal a libertam, correntes de finos fios, a crónica de palavras esgueirando-se ilegal e presionando como se tratasse de uma prostituta escarlate que se apresenta voluptuosa perante o alvo que só ela quererá abater a golpes de sedução e demais técnicas amestradoras de um circo sem palhaços e com demasiados animais amestrados, tantos que apenas a sociedade sua imensa e total protetora  - os amestrados e os outros - deverá querer impugnar o degradante show exótico-erótico-sensual de coisa nenhuma, de pernas compridas e esbeltas que se desfazem nos seus desenhos riscados num ar de humidades e não apenas uma precipitação qualquer conseguida à sorte das diferenças de pressão no interior do corpo, o calor o frio e o morno e coisa nenhuma de temperaturas que também nenhum termómetro será competente para medir, cuja expansão exterior quase sempre se ouve em breves golpes, emvergonhados, rubros, escarlates, sem navalha, sem faca, com face, com odor e tudo rebola sem travão, sem questão de horas minutos e segundos, segundo os quais nada fica ao acaso da casualidade, ela própria outra escarlate provocadora de muitas resistências elétricas, de correntes alternadas e contínuas, as mãos trémulas dos choques, o corpo sinuoso ele próprio noutro choque, de espanto, de pranto sobre as fintas que faz a si mesmo, agarrando-se à esquina perante o escuro de lâmpadas imaginárias porque nenhuma corrente contínua continua a ser alternada porque alternar é um verbo escarlate, idolatrado, vilipendiado, usurpado, estagnado, emancipado, afugentado, masturbado, generalizado na sua singularidade de pecado pouco original e afinal é cada um por si próprio, fitando o umbigo, a fuga do corpo e das sensações, as perguntas que caem da roupa que voa desprotegida para os cantos, as respostas na ponta da língua destravada na pressa das palavras impronunciáveis, desconstruidas, em cacos, como macacos pendurados nos ramos de uma árvore crivada de patacas de papel de lustro, brilhante sob um sol que não existe em nenhuma noite que se orgulhe do seu escuro e das suas sombras, sob o qual manto se escondem as almas sem norte, sem sorte, dirigindo-se à morte que fica no fim de todas as estradas e do escarlate de todas as luzes.

domingo, 14 de Setembro de 2014

TREINADOR DE MATRECOS - O SPORTING (3)


Não é muito frequente deter-me na bola e nas suas lateralidades.
Mas de quando em quando aventuro-me e solto palavreado. Não sou perito, mas também não sou totalmente incapaz ou sequer burro para não entender o essencial.
Ora bem, o presidente do Sporting
- clube com que simpatizo desde os meus 11 anos
soltou a língua e decidiu profetizar que o "Sporting é candidato ao título!" 
Fez o que achava que deveria fazer e o problema é/será dele, quando muito...
... Mas sucede que à quarta jornada e assumindo que os rivais ganharão os seus jogos (o SLBenfica já o fez), está já cavado um fosso demasiado penoso entre o clube verde-branco e os rivais.
A equipa joga pouco
- não me deterei nos porquês porque nem conheço o nome de todos os jogadores
os dirigentes não dominam o "metier" paralelo,
- o que decide de facto as coisas
pelo que as declarações do presidente só o ridicularizarão a ele e ao clube a que preside.
Sempre me ensinaram que é preciso tento na língua e, portanto, Bruno de Carvalho vai ter de engolir o que disse e talvez só depois perceba que antes de atacarem as suas presas, os grandes predadores se embrulham num silêncio"fatal"...
Neste caso, quase todas as palavras que se digam, só estragam...

sábado, 13 de Setembro de 2014

MEMÓRIA DE VERMELHO E AREIA

 Praia de Mira, 25 de agosto de 2014

As férias na praia, em grande parte da minha infância e adolescência, foram passadas na Praia de Mira.
Era um local pacato, com uma areia limpa, bom ar de mar e pinhal, uma "barrinha" em modo de quase fossa ao ar livre, mas na praia o "problema" era um mar quase sempre muito pouco dado a aventuras e simpatias.
A frente de praia era na altura marcada por diversos mastros, bem visíveis, listrados a vermelho e branco, feitos de pau de eucalipto e estrategicamente colocados, que anunciavam através do riso das bandeiras neles hasteadas, como estava o mar uns quantos metros mais abaixo.
Em grande parte dos dias de férias que lá passava, talvez nuns dois terços, a bandeira hasteada era a vermelha, sinal de que o mar estava pouco amigo dos banhistas, fosse pelas ondas fortes e grandes, fosse pelas traiçoeiras correntes.
Na minha mente de petiz, contudo, aquilo causava-me alguma espécie, uma vez que a cor vermelha das bandeiras impedia que eu brincasse na água e me aventurasse mais um pouco nas ondas.
De maneira que fui cultivando uma "raiva" silenciosa às bandeiras, sobretudo à vermelha, que se agravava quando, do alto da minha experiência acumulada durante anos, achava que o mar até estava bom e que, portanto, colocar bandeira vemelha era uma espécie de provocação ou, ainda mais elaboradamente, achava que os "banheiros" (como eram conhecidos na altura) e agora "nadadores salvadores", queriam era estar descansados e não estavam para se chatear para ir buscar gente aflita às ondas, uma vez que a bandeira vermelha, ainda assim, sustinha bastante a entrada na água de qualquer maneira...
Ora bem, sucede que, em face de tudo isto e para resolver o assunto e ver mais vezes outras cores nos mastros - o amarelo e o verde, claro - cheguei a engendrar na minha inocente cabeça que a solução para a coisa passaria por roubar - fazer desaparecer, vá - as bandeiras vermelhas, que ao final da tarde eram zelosamente guardadas numas pequenas cabanas de madeira colorida e listrada de azul e branco, que se situavam justamente junto a esses mastros. Fiz essa investigação, acompanhando em silêncio e a uma distância prudente, a "cerimónia" do arrear das bandeiras, seguindo depois com o olhar, os movimentos do "banheiro"...
O plano era ainda mais elaborado, talvez sinistro, quando cheguei a prever que um "exército" de miudos com a mesma vontade que eu tinha, haveria de fazer desaparecer todo o tecido vermelho das lojas de panos num raio de 20 quilómetros e que, por isso, seria impossível substituir as bandeiras vermelhas entretanto "desviadas" das arrecadações de praia e inviabilizar qualquer tentativa de hastear bandeiras rubras, para que eu pudesse ir para o mar e estar mais à vontade.
E por tudo isto, lembro-me também de antipatizar de forma mentalmente agressiva, com os "banheiros" que, segundo a minha fundamentada opinião, não percebiam nada do mar e queriam era não se chatear muito, para poderem estar a fazer-se de muito bons para as raparigas...
Este Verão voltei à Praia de Mira. Lembrei-me desta e de outras histórias.
Ironicamente ou não, no dia em que lá fui, o mar estava invulgarmente calmo e a bandeira verde reinava em todos os mastros.

quarta-feira, 10 de Setembro de 2014

3 E 10

 3
Completam-se hoje 3 anos sobre a criação do Calhau com Olhos.
O que é o Calhau com Olhos?
Leiam aqui ao lado e percebem tudo. Nada de muito complicado, até.
Nestes 3 anos, nada de mais aconteceu, a não ser as 480 entradas, entre fotos, desabafos e aquilo a que com alguma presunção chamo de crónicas, bem com as 26 500 visitas e as 50 mil e poucas páginas lidas.
Se é pra continuar?
À partida sim. As notícias sobre a morte da blogosfera são manifestamente exageradas e nem o "delírio" facebookiano a anulou.

10

Foi algures em setembro de 2004 que fiz a iniciação na blogosfera.  Há 10 anos.
Esse blogue primeiro chamava-se "Sentidos Percebidos" e durou até 2007. Nesses quase três anos de existência, para além do que nele escrevia, passei a escrever também numa coluna semanal no jornal "Gazeta das Caldas", justamente intitulada "Sentidos Percebidos", uma vez que na altura vivia em Caldas da Rainha.
Ainda no domínio dos blogues pessoais, passei pelo "Avenida Sniper", "Ataque de Caspa" e "Latitude 40", tendo a coisa terminado no atual "Calhau com Olhos".
Eram projetos pessoais, sem grande pretensão, mais ou menos no atual figurino deste de onde escrevo e nunca passaram de uma mediania deprimente. Como não sou nem aspiro a famoso ou vedeta, fico feliz se for lido/visto por 10 ou 20 pessoas em cada edição que lanço na grande rede.
Participei também em projetos de escrita coletivos, como o "Jogo de Possíveis" (de 2005 a 2007) - que viria a ter edição escrita no Jornal de Penacova e depois desse, no "O Homem das Tabernas" (de 2008 a 2013), blogue que conquistou 2 prémios nacionas na categoria de Humor e sátira (um 3º lugar em 2011 e 2º lugar em 2012) e foi visto  mais de meio milhão de vezes.
Em 2006 fundei o então blogue dedicado à minha grande paixão - a aviação - de seu nome "Pássaro de Ferro". De  blogue de histórias pessoais com aviões, passou a site em 2010, ganhou conteúdos, mudou de aspeto, ganhou importância e mantém-se hoje como uma das principais referências no domínio da aviação online em Portugal (sobretudo a militar), tendo já ultrapassado o milhão e meio de visitantes.
Nestes 10 anos, perdi a conta aos tantos mas tantos milhares de palavras e linhas/frases escritas, algumas intensas, outras levianas, outras pouco mais que nadas, sobre banalidades, sobre assuntos graves, a humanidade, a política, o futebol, a vida... mas sempre, sempre em perseguição de uma marca de escrita. Não dariam um livro, mas seguramente vários...
Nunca gostei de escrever de forma direta, digamos. Procurei sempre "decorar" as palavras e as frases. Admito - evidentemente - ter escrito coisa más, péssimas até, mas era o que o momento propiciava e seguramente que só se aprende errando e escrevendo sempre mais.
Se daqui a 10 anos fizer novo balanço, é sinal que o mundo cá permanece e não morreu em mim o ímpeto tantas vezes indomável da escrita.
Obrigado a todos os que ao longo destes 10 anos, uns mais de trás, outros mais recentemente, fazem o favor de me ler, criticar e/ou apreciar.