segunda-feira, 17 de Novembro de 2014

UM SENHOR - II


Morreu Anthímio de Azevedo.
Se hoje eu adoro e me interesso por tudo o que diz respeito à meteorologia, devo-o em muito a este senhor.
Lembro-me que ele não se limitava a debitar uns preciosismos técnicos sobre meteorologia, pespegados em quadros de giz, apontados por uma espécie de antena que avançava e recolhia a gesto de braços
     como numa escola qualquer, não mão de um professor
eventualmente longe da compreensão comum, mas era um pedagogo, uma vez que nos ensinava a perceber o porquê das coisas, a interpretar o intrincado das isóbaras, dos centros de altas e baixas pressões, do anticiclone dos Açores, o conceito de frente fria e quente, o famoso ar pós-frontal, etc.
Com o advento das televisões privadas, os meteorologistas foram substituídos por meninas cujo objetivo não era tanto explicar o tempo, mas exibir os trapos que os costureiros e lojas de roupa as faziam envergar, fossem ou não generosos em tecido
     a maior parte da vezes não eram
verdadeiros mecenas do tempo, como se eles determinassem por patrocínio feito por entre saias, blusas, calças e casacos de desing, os caprichos do tempo, frio ou calor, sol ou chuva, vento ou calmaria, arredando inclusivamente o S. Pedro do seu posto de decisão.
Depois de passada a moda das meninas encaloradas, eram os próprios pivôs dos telejornais que asseguravam a coisa, com aquele ar seco e circunspecto de quem dá uma notícia sobre uma discussão entre vizinhos, ou um acidente na autoestrada, tudo agravado pela evidente ignorância face ao assunto que "explicavam".
Até a RTP, dita de "serviço púb(l)ico" acabou por despachar os meteorologistas, substituindo-os recentemente por algo pouco mais que indizível.
Com a generalização da internet, temos acesso ao estado do tempo em todo o lado a qualquer hora.
Os que sabem e entendem, provavelmente aprenderam muito com o que homens como Anthímio de Azevedo ensinaram
     ensinaram é o termo!
os que se limitam a ver e ler o que alguns sites de meteorologia debitam sem preceber por aí além o que estão a ler/ver, não sabem o que perderam.
RIP!

domingo, 16 de Novembro de 2014

UM SENHOR


Um dos melhores Ministros do que resta deste "governo", saíu. 
Não me interessa se tem ou não culpa no podre que gravita em torno do(s) poder(es)
Deixa claro que há ainda Homens honrados.
Deixa exemplo a outros, leia-se da Educação e da Justiça, Portas... que perante as trapalhadas ou assobiaram ou foram postos a assobiar.
Deixa claro que,  para quem ainda duvida, o país está podre.
Deixa claro que é cada vez mais difícl acreditar em quem nos "governa".

DOS DIAS NO CALHAU (113)

Várias fotografias, obtidas nas últimas semanas.













domingo, 9 de Novembro de 2014

A MINHA RELAÇÃO COM ANTÓNIO LOBO ANTUNES


Terminei há dias a leitura de mais um livro de António Lobo Antunes (ALA).
Comecei a ler ALA em 1998, com "A morte de Carlos Gardel". De então para cá, já li mais 11 livros da sua autoria - Os 4 livros de Crónicas, "Memória de Elefante", "Exortação aos Crocodilos", "Não entres tão depressa nessa noite escura", "O meu nome é legião", "O arquipélago da Insónia", "Que cavalos são aqueles que fazem sobra no mar", "Sôbolos rios que vão" e "Comissão das Lágrimas", terminado de ler há dois dias.
ALA é muito "difícil" de ler. Entra-se facilmente em "guerra" com ele, com a forma com que escreve as coisas, com o (bom) esforço que é necessário fazer para conseguir "dominar" as suas frases. Cansa. Exige o tal esforço, mas é multi-recompensado, porque entramos nos livros, percebemos a cor e textura das frases e palavras, os seus ecos. Nós estamos ali. Somos um pouco protagonistas das suas histórias.
ALA é uma espécie de Saramago, (em termos de estatuto) só que sem a sombra de posição política deste e com um "estilo" próprio, mas sem Nobel, facto que, sinceramente, não acho grave. O Prémio Nobel não é assim algo de tão importante que faça um escritor (no caso) ser melhor ou pior. Quem escreve, não o faz a pensar nesse prémio, ou em quaisquer outros.
Já passei por períodos de euforia com os seus livros, em que os li de forma quase compulsiva, mas também já passei por períodos de total nojo e repulsa. Cheguei a estar praticamente 4 anos sem pensar em ler o que quer que fosse escrito por ele. E estive. E não li.
Este último que li e que terminei há dias - "Comissão das Lágrimas" - é uma incursão lancinante à guerra do ultramar, em Angola, às "memórias de uma mulher torturada", memórias que se atropelam por entre cadáveres, balas, capim, musseques, brancos, pretos, pessoas que por ali andam a flutuar por entre as palavras, locais, geografias, paisagens que se derretem umas nas outras.
Demorei 5 meses para ler o livro de 326 páginas. Demorei porque há dias em que é impossível ler ALA e, por isso, tem de se esperar até ser possível fazê-lo de novo.
Apesar da sua dificuldade, a escrita de Lobo Antunes tem-nos lá dentro. Somos nós noutras pessoas, noutros locais, noutros quadros. Mas estamos lá, por entre uma certa "demência" que transpira da organização das frases e das palavras de que são feitas.
Já por 3 ou 4 vezes estive em apresentações de livros seus. Numa delas, em Caldas da Rainha, algures em 2004, troquei breves palavras com ALA. Disse-lhe que escrevia. Ele, simpaticamente ou não, respondeu-me, enquanto autografava o livro que lhe havia dado a autografar:
" - Escreva! Mesmo que seja só você a gostar do que escreve! Se achar mau, não desita!"

terça-feira, 28 de Outubro de 2014

OS TEMPOS E OS SEUS SINAIS

Escrevi hoje este "desabafo" na minha página pessoal no Facebook.
Partilho o texto com quem aqui me lê, com óbvias mas pequenas alterações.

«Jurei a mim mesmo, há alguns tempo atrás, que deixaria de usar o Facebook (FB) para discorrer como maior ou menor seriedade sobre algumas coisas que me inquietam e/ou interessam.
O FB tornou-se, ao longo dos tempos, num antro de banalidades multi-partilhadas, como se fossem verdades ou acontecimentos capazes de (re)definir o rumo da própria História.
Parece até que o percurso da humanidade se iniciou quando o Sr. Zuckerberg teve este "rasgo de luz" e criou "isto", sendo que o que está para trás não existiu - porque não foi filmado ou fotografado e depois comentado - ou se existiu não interessa para nada.
Ora serve a presente "quebra" de juramento para tecer algumas considerações sobre acontecimentos que hoje vi - escarrapachados - nesta rede social.
1 - Que a Terra iria "mergulhar" em seis dias de escuridão.
Ora bem, das duas uma, ou a estupidez está, de facto, ampla e generosamente distribuida, escapando ao menor escrutínio de racionalidade ou, em tempos de banalização e facilidade de chegar ao (verdadeiro) conhecimento, optamos pelas trevas que, justamente usando os mecanismos que o conhecimento usa, faz o seu trabalhinho sujo, tão do agrado do catastrofismo coletivo.
Pelo menos eu, chamem-me os nomes que quiserem, não dou para este peditório e, protanto, esta "notícia" é absolutamente abjeta. Por favor, leiam fontes credíveis. Por mais incrível que pareça, elas existem aqui na Internet. Procurem, achem e informem-se!
2 - Um vídeo sobre uma "aterragem de terror", acontecida no Aeroporto aqui da Madeira, a semana passada, dia de fortes ventos.
Ao que consta, este "jornalismo de gaveta das cuecas", como lhe chamou e bem um companheiro meu, faz a sua "carreira, na boleia da superficialidade que campeia neste "desgraçado" deste Facebook.
Nenhuma argumentação racional e explicada sobrevive ao impacto das imagens, mesmo que quem verdadeiramente entende do ofício assegure e explique que as coisas não foram o que as imagens fazem fazer crer e querer que foram.
Em várias ocasiões ocorrem por todo o mundo aterragens complicadas, algumas aqui na Madeira cujo o aeroporto não é, reconhecidamente "fácil". Mas não são filmadas e por isso, é como se não tivessem acontecido, mesmo que tenham um grau de perigosidade mais "impressionante" do que esta.
Aliás, o uso de terminologia densa e dramática acaba por fazer, também, o seu trabalhinho pouco recomendável com vista à banalização sensacional em que esta rede social é pródiga.
Para terminar, muito provavelmente algumas pessoas nem se vão dar ao trabalho de ler este texto até ao fim. Gastar 3 ou 4 minutos a ler isto e, eventualmente, a refletir, é demasiado. Não há tempo a "perder" com tipos que tem a mania de querer pensar com a sua própria cabeça, difíceis de emprenhar, ou sempre a duvidar e a ponderar sobre o que se lhe apresenta.
O Facebook é de consumo rápido, de segundos, e tem horror à explicação, à ponderação e a todas a essas coisas antigas cultivadas por muita gente que lutou justamente contra esta situação mas que, para espanto de muitos, estabeleceu a diferença no progresso humano, muito antes deste "iluminismo de pacotilha" que nos é servido de bandeja todos os dias aqui.
Agora, os tempos são de correria e apriorismo. Até à próxima "sensação". Tudo pela rama, tudo pela superficie, em nome da adrenalina - como excitante - ou em nome da paz de consciência - como tranquilizante.
Disse.»

segunda-feira, 27 de Outubro de 2014

NADA

Para os que aqui vem em busca de algo, sobretudo escrito, tenho a dizer-vos que esta ausência tem apenas a ver com o facto de, sinceramente, não ter nada para dizer.
Os tempos são de um absurdo tal que o silêncio se apresenta como o melhor refúgio.

terça-feira, 7 de Outubro de 2014

DOS DIAS (FORA) DO CALHAU (111) - Coimbra - I

Coimbra faz lembrar aquelas senhoras já idosas, que ao longe parecem bem vestidas, bem arranjadas, cujo "conjunto" se revela como uma "instituição" respeitável.
Depois, quando nos aproximamos, essa construção descamba para um certo ar decadente, remendado, mas que, ainda assim, se continua a impor sem discussão.
Nos últimos 15 anos, a cidade perdeu população e nos últimos 30, importância no todo nacional. A este facto não será alheia a crise, autarcas medíocres e uma Universidade fechada em si e nos seus bolores. Depois, dos 30 mil estudantes, poucos ficam e muitos partem porque há falta de trabalho e suporte empresarial na urbe e região que os prenda. Tudo são fatores que se têm congregado e provocado esta espiral recessiva da cidade.
Dos 150 mil habitantes que a cidade contava à entrada do século XXI, em 2014 estima-se que a população esteja em 140 mil habitantes.
Independentemente de todas essas perdas e desenganos, a cidade mantém a sua matriz de "velha senhora", decadente, antiga, conservadora, pasmada, de permanente e muita laca, fumando na beira Mondego num vagar de nadas.
E também por isso, nunca deixa de ser uma bela cidade. Uma vez gostando, gosta-se sempre e para sempre.












domingo, 5 de Outubro de 2014

DOS DIAS (FORA) DO CALHAU (110) - A minha aldeia

A minha aldeia, de nome "Telhado", é uma pequena povoação com cerca de 350 habitantes, situada no concelho de Penacova, a 10 km desta vila e a escassos 18 km da cidade de Coimbra.
Está situada numa suave encosta, cerca de 150m acima do nível do mar e o aglomerado de casas é constituido por aproximadamente 150 fogos.





Algumas casas do centro do povoado estão vazias e a povoação tem-se espalhado pelos terrenos, abandonando a matriz tradicional das casas ao longo das ruas, "coladas" umas às outras.
Existem muitas vivendas, "isoladas", rodeadas dos tradicionais relvados, algumas com piscina e já não todas com um quintal anexo, uma vez que a proximidade às grandes superfícies comerciais, sobretudo de Coimbra, acabou por fomentar o abandono das pequenas culturas e hortas e à pouca propensão da população mais jovem para o trato da terra.


Durante o dia, a povoação "desertifica-se", uma vez que a força de trabalho se desloca para Coimbra e para alguma indústria existente em algumas zonas relativamente perto. Permanecem as "donas de casa", os reformados e umas poucas pessoas que trabalham em pequenas indústrias estabelecidas na aldeia, ou perto dela comércio (um café e mini-mercado, uma loja de mobiliário) - serviços (cabeleireiros e engenharia florestal, mecânica e pintura automóvel) e agricultura.
Ao fim da tarde, volta a ganhar população, dando substância a um certo estatuto de "dormitório", tanto de Coimbra, como das aludidas zonas industriais.
Seja como for, mantém um certo recato e uma certa tranquilidade, que lhe conferem excelente qualidade de vida.

sábado, 4 de Outubro de 2014

DOS DIAS (FORA) DO CALHAU (109) - Aldeias de Penacova


Telhado

Agrêlo

Sazes do Lorvão

Contenças

Csa de Santo Amaro até Penacova

Casal de Santo Amaro e ao fundo Penacova.


Casalito


Casal de Santo Amaro


Penacova