domingo, 25 de janeiro de 2015

DOS DIAS (NO E FORA) DO CALHAU - 117

Lareira.


Cogumelos.


Fim de tarde na Portela de Oliveira - Penacova. 31 de dezembro de 2014.

Parte da cidade de Coimbra vista da Serra do Roxo - Penacova.

Manhã de dia 21 de janeiro sobre as Desertas - Madeira.
Esboço de um arco íris na tarde de 23 de janeiro.


Regata na manhã de sábado, dia 24 de janeiro.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

O CIVILIZADO


O meu voluntário jejum televisivo não me afasta, totalmente, das palpitações do mundo. 
Apesar de tudo, procuro menter-me minimamente atento por via do "risco mínimo do ridículo", socialmente recomendado.
Recebo e leio, diariamente, uma newsletter eletrónica do jornal "O Observador", da responsabilidade de José Manuel Fernandes.
Ao que consta, o homem
     em tempos diretor do Jorna Público
é bastante criticado pelo seu (declarado?) posicionamento político, digamos, que dizem as línguas do "lado oposto", é tendencioso, mas em bom rigor isso pouco ou nada me importa ou retira o sono. cada um com as suas tendências, vivendo de bem com elas.
Essa newsletter resume-me o dia noticioso e com ela são-me disponibilizadas uma série de ligações a diversos artigos - nacionais e estrangeiros - que pela sua diverside me mantém nos níveis mínimos do "civilizado".
Ora, hoje fiquei a saber
     sem espanto especial, diga-se
que existe uma troca de mimos e acusações entre dois jornais nacionais (CMe JN) e em que
     igualmente sem espanto
surge o nome de um cidadão preso preventivamente em Évora como de alguma forma envolvido, através de esquemas típicos.
Ora é demasiada matéria para que assobiemos para o ar ou, como alguém um dia disse, olhemos os céus na esperança de choverem fezes 
      há uma versão em vernáculo bem mais gráfica e humorada...
para que que um esgar enojado não nos percorra o espírito. Matéria podre, mal cheirosa, cheia de larvas que furam e se enterram contorcendo-se numa pasta abjeta.
No fim desta história,  o "civilizado" tem limites, claro.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A CERTEZA


Estou há uns 5 dias sem ver televisão.
É uma opção como outra qualquer.
A televisão está lá, onde sempre esteve, de ecrã plano, preta, de marca nipónica, olhos em bico, a piscar seduções mas eu não lhe ligo pêva. Pouco me importa o seu ar provocador, de braço dado com o sofá ali a dois metros.
Por mim ela azedaria lá não fossem os petizes dar-lhe serviço com uns desenhos animados e umas séries infanto-juvenis de piada rés-do-chão e carregadouro oral.
Contudo hoje, na TV de uma sala escolar que frequento, vi quase sem o querer, duas senhoras de idade já adiantada, a sairem pela porta humilde de um estabelecimento prisional alentejano. E alvitravam, do alto dos seus casacos, da sua cabeleira armada de laca, das suas tão invejáveis certezas e antes de se introduzirem em automóveis topo de gama com chauffer, que o preso que tinham ido visitar está absolutamente inocente.
Como se vê, 5 dias sem televisão revelam que ela para pouco serve e que, através dela, percebemos melhor e mais angustiadamente que o mundo é um lugar onde tudo, mas tudo tem lugar.
Desde o mais credível ao mais patético.
Ainda cá vamos cabendo todos.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

E AGORA, ANTÓNIO?...

No caminho para aqui, no último ano, levei com a grande "pancada" da idade. Senti-a com um estrondo de trovão ou como se Deus, alguém ou alguma coisa tivesse querido abrir-me os olhos para o que está a acontecer, lançando não raios, não coriscos ou não pragas de gafanhotos, mas ondas de choque e espanto redondo como as voltas dos relógios.
O edifício de que sou feito, antes dado como intacto e forte, começou a vibrar, soltaram-se algumas pedras, depois abanou muito para lá do hábito dos medos e da anterior e total certeza das forças.
Num ano, neste que agora se fecha, mudei mais do que em todos os anteriores.
Sou, agora, uma certa desilusão de mim mesmo. É como se um outro eu me tivesse substituido e com quem tenho dificuldade em viver.
Sou um homem mais desiludido, mais desinteressado, mais apático, mais amargo, às vezes pouco mais do que parado. A honra de estar vivo perdeu algum do seu brilho anterior, à força de mil e um desgastes. O esfregão de que são feitos alguns dias abrasa por vezes sem cautelas e avisos, as camadas que nos fazem o corpo.
Poucas pessoas me interessam, poucas coisas me interessam, quase nada me interessa. Vejo algumas  paredes não como desafios para ultrapassar mas como sinalizadores. As pessoas a passar na rua são vultos sombrios, sem característica, sem calor, sem som e dou por mim a imaginar as suas histórias, as suas dobras, tentando ver nelas o que não vejo em mim.
Os dias, tantos dias, não passam muitas vezes de um amontoado de cadáveres do tempo que passa, jogados numa cova a caminho de encher e no fim dela o que se sabe. O mundo parece-me um lugar ensandecido onde nenhuma lógica, nenhuma ordem, nenhum nada.
Mas as paredes.
"-Desenrasca-te!"
parecem dizer-me na sua secura de cimentos.
Sento-me perante elas, entregando-me ao nada ou ao seu branco se assim pintadas. Nem lhes meço a altura, a consistência, a perenidade ou sequer se reais. Tanto me separam como me defendem.
Desisti de dar opiniões porque quase nada me interessa, sobre quase nada desejo ter opinião ou sequer vender ilusão, nem tão pouco dar-lhes bênção com rebuscadas palavras, frases floreadas, trabalhadas, envernizadas
     - Eu que durante anos escrevi e publiquei opiniões em jornais e mais tarde em blogues, cheios de palavras que me caiam em cascata dos bolsos e cuja dificuldade maior era escolher as melhores
politica
     - Cheguei a ser "copiado" no estilo
futebol
     - E agora cada vez mais nojo por cima
economia e bancos
     - Vómito
televisão
     - Zero
escolho a ignorância, prefiro o silêncio, escuto muito e só o que quero, leio, de boca fechada
     - Com e sem espanto
não quero saber
     -  Não sei
não desejo ou pouco desejo e portanto o tudo resume-se a pouco mais que nada e à estranheza deste outro eu com quem mal convivo num sono de costas, numa cama de pulgas.
Chegado aqui, as perguntas alinham-se como numa parada, direitas, marchando de passo acertado, mas uma delas arreda todas as outras pelo seu desalinho e desconcerto:
     - E agora, António?

(Auto-retrato aos 46
15 de janeiro de 2015)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

DOS DIAS (FORA) DO CALHAU - 116 - Coimbra e mar


 Ver Coimbra nunca cansa.


Praia de S. Pedro de Maceda, 29 de dezembro de 2014

O PROBLEMA

A fúria do radicalismo islâmico faz dezenas ou provavelmente centenas de vitimas todos os dias. A maior parte das vezes em "remotas" regiões que estão longe do nosso olhar e cujo cheiro a carne morta não nos chega por nenhum vento.
Quando essas coisas acontecem na nossa "segura" Europa
     como na passada semana em Paris
tocam os sinos da consciência a rebate e por aí fora e vai toda a pantalha a gostar da polícia, dos militares e de todos os que zelam pelo rabinho seco e perfumado com que nos mexemos e defecamos em estilo. 
Mesmo que, antes das hossanas aos "securitas", eles sejam considerados uns inúteis, sorvedores de dinheiros, abusadores da força e por aí fora, que o mundo é lisinho, a polícia e os militares servem para aborrecer e viviamos todos ainda melhor sem eles.
Esta hipocrisia choca-me. E afasta-me do interesse pelo mundo. Torna-me egoísta, isolado, alheio e socialmente apático.
Mas se calhar o problema é mesmo meu.

domingo, 11 de janeiro de 2015

DOS DIAS (FORA) DO CALHAU - 115 - Penacova, aldeias e serras

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9.  (1 a 9) Vários aspetos noturnos da aldeia, Telhado/Penacova.

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13 . (10 a 13) Paisagens de Penacova.

Máquinas voadoras que cruzam os céus. Airbus A340.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

DOS DIAS (FORA) DO CALHAU - 114 - Coimbra, Penacova e serras

Fotos da pausa do Natal/Ano Novo.
Entre Coimbra e Penacova.




Abordagens noturnas a Coimbra.

Serra da Estrela

Serra da Lousã




Moinhos da Portela de Oliveira, Penacova e último por do sol de 2014.


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

LEITURAS EM 2014

O ano que há dias terminou foi bastante fértil em leituras.
Nos seus doze meses, li 17 livros, desde exemplares de menos de 100 páginas até "bíblias" com mais de 700 e iniciei a leitura de um outro, que decorre ainda - "O Pintassilgo" de Donna Tartt (893 páginas!!!)
A lista rezou, então, assim:

"A ferramenta que faz os contos" - Sónia Marques Carvão
"The Jackal" - Afonso Gaiolas
"Dentro do Segredo" - José Luís Peixoto
"A morte de Ivan Ilitch" (Releitura) - Lev Tolstoi
"Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar" - António Lobo Antunes
"Os funerais de mamã grande" - Gabriel G. Marquez
"Em que crê quem não crê?" - Umberto Eco e Carlo Martini
"Vida e Alma" - Helena Sacadura Cabral
"A Velocidade da Luz" - Javier Cercas
"A  Comissão das Lágrimas" - António Lobo Antunes
"Manhã Submersa" - Vergílio Ferreira
"O Carteiro de Pablo Neruda" (Releitura) - Antonio Scarmetta
"A Mão do Diabo" - José Rodrigues dos Santos
"O Aleph" - Paulo Coelho
"O Anjo Branco" - José Rodrigues dos Santos
"Regresso e Reencontro" - Lúcia Gonçalves
"De profundis - Valsa Lenta" (Releitura) - José Cardoso Pires

Algumas destas leituras foram em regime" de compulsividade, isto é, não tendo mais nada para ler, arrisquei e li. Nesse "pacote" de "Ok,vamos lá então ler isto!...?" introduziria os livros que li de Paulo Coelho, Lúcia Gonçalves, H. Sacaura Cabral e até J. Rodrigues dos Santos, sendo que no fim, aplico a velha máxima com me guio pelos dias: "Aprendemos sempre!", acrescido do "mesmo por entre o sofrível e o francamente mau."
Os outros li por interesse e gosto.
Para o que me é habitual, são muitos  livros, vários milhares de páginas, milhões de palavras, muitas horas a dois, no mais completo silêncio ou no meio do imenso barulho que (por vezes) me rodeia, provavelmente auto-subtraindo-me a outras coisas, mas consciente da coisa.
Mas prefiro-os e prefiro-as à banalidade da maioria das conversas sobre o tempo que faz, o político corrupto, o podre futebol, ao ruído do mundo e das coisas, à TV, aos jornais e curo/amenizo as minhas "neuras" com eles livros e elas palavras escritas.