quinta-feira, 28 de maio de 2015

DOAS DIAS NO CALHAU (120) - "Anthem of the seas"

Na passada 2ª feira fui de propósito à baixa do Funchal para "apanhar" o maior navio de cruzeiros que alguma vez atracou na capital insular e simultâneamente, o 3º maior navio de cruzeiros do mundo.
Havia muitas dezenas de pessoas prontas a fotografar o navio que zarparia do porto pelas 19 h. E não falhou.
O navio é de facto grandito, digamos, com uns módicos 347 metros de comprimento, altura de um prédio de 15 andares, aumentada quando uma grua panorâmica se revela na vertical (visível em algumas fotos) e quase 170 mil toneladas de arqueação bruta e capacidade para quase 5 mil passageiros e 1 500 tripulantes.
Enquanto fotografava, alguns dos paisanos que registavam o momento nos diversos suportes que empunhavam, iam debitando sentenças sobre o acontecimento e o navio em si. Nada de especial, digamos, uma vez que a opinião é livre, por mais inusitada que seja.
Mas algumas "pérolas" são demasiado preciosas para não serem reproduzidas. Por isso, limitar-me-ei a reproduzir esta:
«-Vão mais de 10 mil pessoas ali dentro... Onde guardam tanta "m&rd@" de tanta gente a "c@g@r"?»








sábado, 23 de maio de 2015

ESCREVINHATÓRIO (12) - O Fogão


«E ali estava Matilde, encostada a um fogão imaginário, temperando doses de paciência metida dentro de tachos invisíveis, com temperos e ervas que não tinha, envolvidos por uma colher feita de coisa nenhuma.»
©AL.2015 

sexta-feira, 22 de maio de 2015

ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA / UNITED STATES OF AMERICA

Nova Iorque/New York

Desde pequeno que os Estados Unidos são um dos meus países preferidos.
Provavelmente este interesse - não político e apenas geográfico - decorrerá das influências que a visualização de cinema de produção norte-americana foi construindo, aliado ao meu gosto pela aviação, sobretudo a militar, de que os EUA são grandes produtores.
Por ser um país tão vasto, é constituído por mil e uma paisagens, desde as metrópoles imensas, com Nova Iorque à cabeça, até ao Monumental Valley ou lugares de igual e esmagadora beleza natural. Essas sim, exercem um enorme fascínio!
Não sei bem porque razão, uma boa fatia do tráfego que demanda esta página é oriunda justamente de lá. Da semana passada, por exemplo, foi dos EUA que mais visitas e páginas visualizadas se registaram, praticamente o dobro das registadas em Portugal.
Para agradecer ao "amigo americano", fica esta referência, jusf for the record!

Monumental Valley

From my early age, United States is one of my favorite countries.
Probably this interest - only geographical and not political - will run from influences that were produced mostly by cinema, and also by the "american way of life and the american dream". And also by the influence of military aviation, designed and produced on the US, as one of my favourit interests
For being such a big country, it consists of a thousand landscapes, from the huge metropolises, with New York on top of all of them, to the Monumental Valley or places of overwhelming natural beauty.
I don´t know why, a good share of traffic on this page is registered, precisely, from the United States. Last week, for example, the US was the main origin of the visits and page views, almost twice as high in Portugal.
To thank the "American friend", today's reference, jusf for the record, is written also in english.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

ESCREVINHATÓRIO (11) - Dez meses sem Miguel

Crédito na imagem.

«(...) era aquele silêncio escuro das horas mortas, até ao próximo comboio, cortado pela insistência repetitiva dos grilos, pelos latidos desafinados do cão da Estação a ladrões imaginários, aos intrusos dos seus sonhos feitos dos restos do jantar e de quando em quando o corte agreste de uma motorizada esganiçada, estrada acima, a largar aquele fumo azulado de churrasco de escape, a queima da gasolina de mistura a dois tempos, o funil de plástico junto ao balde da areia, a empregada da bomba de vassoura  numa mão e a mangueira na outra, esfregando a limpeza ao pavimento naquela pressa impossível da calma, por baixo de uma luz esbranquiçada e ténue, a sua cabeça à banda como quem escuta sons, a mudar as fraldas do filho de dez meses deixado à avó
     quantas avós são mães duas vezes?
a avó há anos sem barriga de mãe mas sempre mãe
     dez meses de Miguel
a empregada de nariz em pingo, assoado em cortejos teimosos de braço, mão e lenços, a fralda do Miguel em volumes generosos, a bisnaga da pomada no cesto das limpezas, entre um corta-unhas ferrugento, o saco do algodão de boca rasgada à pressa, o cesto uma feira franca de coisas, sem barreiras, sem pré-definições ou exigências, o pequeno postigo da casa de banho virado para as traseiras onde quase nunca o sol, ou apenas uma nesga de sol em vinte dias de junho, o postigo com vista para a linha de comboio sem comboios e antes dela a bomba de gasolina e quase no fim da madrugada apenas o noturno arrastado, de locomotiva barulhenta, com os passageiros de cabeça nos vidros das janelas, acertando o sono no ondulado dos carris, na tremura das travessas, na gravidade centrífuga das curvas, descendo a serra semeada de pequenos lugares cobertos de silêncio e povoados de ausências (...)»

©AL.2015

terça-feira, 19 de maio de 2015

COMENTARISMO MEIGO SOBRE VIOLENTA VIOLÊNCIA

Foto: JN

Nos últimos dias, muita gente tem demonstrado a sua revolta e indignação face às imagens que, sem licença, nos entraram em casa em forma de alguns episódios violentos, decorrentes da euforia ou frustração instalada depois do SLBenfica ter vencido mais um nacional "torneio da bola.
Com mais ou menos cátedra, o comentarismo foi sempre de apologia da não violência, quase meigo, até, indignado, de mão no peito, em contraponto aos estafermos que tomaram o futebol de assalto e o transformaram numa passadeira de frustrações, revoltas e ódios de estimação, numa coutada de coitados sem perspetiva ou objetivo.
Contudo, não vi nem li muita gente a comentar que alguma dessa violência perpetrada, é caucionada, semanalmente, em diversos programas de comentarismo desportivo, que se arrastam horas a fio, "moderados" por alguns "moderadores" que, lá no fundo, anseiam por altas labaredas na casa coletiva da bola, degladiando-se pelos horários e pelas fatias da telemetria.
Alguns dos "comentadores" desses programas apressaram-se a condenar a coisa e os atos, olvidando-se da sua própria responsabilidade semanal, mais ou menos implícita, porque são quase sempre trauliteiros, revelam mau perder, são cínicos, empalados e usam uma linguagem de vão de escada, a troco de animação das audiências esgazeadas pela bola feita ópio, do gáudio dos patrocinadores, dos esfregares de mãos dos diretores das televiões, rádios e jornais.
Há que alimentar a tremenda rede de gente que depende do futebol, sobretudo dos seus epifenómenos, sendo que a própria violência - praticada e condenada - contribui para o pão para a boca.
Não alimentemos ilusões de mudança, porque no mundo da redes sociais e comunicacionais e da disseminação da opinião, benzida pela liberdade conquistada, as coisas vão seguindo o seu caminho, mais arrepio menos arrepio, mais indignação menos indignação.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

TREZE DE MAIO, EM FÁTIMA


Treze de maio é sempre uma data carregada.
Há uma densidade aflita no ar e na cidade declarada altar do mundo, corre naquela fina linha que separa os joelhos do alcatrão e do cimento da Cova de Iria, desce pelas pernas que se arrastam pelo piso das estradas que rumam àquele coração coletivo, as dores tantas dos que fazem o mundo e o peso que carregam às costas ou apenas a fuga para a frente ante o espectro sem sorriso da morte.
As aflições próprias, as promessas, os pagamentos e tudo em gravidade, em círculo de abre e fecha, voltas completas, revoltas por mastigar, medos por digerir, alegrias para esconjurar, a Senhora alva no altar e a fé cantada à luz das velas, as mãos juntas dedilhando as contas do um terço, as orações, as devoções, as desilusões porque não é a Senhora e o que ela manifestamente não pode e não faz porque é o Homem, é em cada um, reze muito, pouco ou nada que pode ou deixa de poder, que faz ou deixa de fazer e a Senhora, de rosto cândido e olhar fixo num éter que nos cobre, a Senhora que apenas observa por entre esconderijos de flores, cheiro a cera de vela, as aragens do ar empurrado a vento, sopros alheios, o calor, a chuva, a condição da vida, os olhares e os sons, mil e um, prostrados nela, escrevem no ar a palavra "Esperança", sempre na aflição dos dedos, no aperto esconso da alma, quando tudo parece pequeno, estreito, a contagem das lágrimas, o catálogo das dores, o mapa da existência, a geografia da vida.
Em Fátima. A treze de maio.

domingo, 10 de maio de 2015

UM OLHAR SOBRE QUEM ME OLHA


Andei a fazer uma prospeção às audiências do Calhau com Olhos (CCO), desde que o criei há quase 4 anos, e verifiquei, com algum espanto, que os Estados Unidos são, a seguir a Portugal, o país que mais visitas e páginas vistas regista, com quase 11 mil...
Não sei, sinceramente, o que isso significa, muito embora ache que isso se possa dever a algumas incursões  e alusões que já fiz a escritores norte-americanos e, também, à fotografia, uma vez que já por diversas vezes o CCO foi mencionado em páginas americanas, sobretudo devido à fotografia atmosférica, digamos.
De resto, Portugal lidera a lista, com mais de 40 mil e em terceiro, com pouco mais de  4 mil surge o Brasil.
Agrada-me também verificar que a maioria dos meus textos - maiores ou menores - continua a ser lida, sendo que alguns deles registam leitores na casa das várias centenas...
Perante o meu crescente enfado relativamente ao Facebook, é natural que, ao fim de 11 anos na blogosfera, a minha presença por cá continue, pelo menos enquanto (ainda) mantiver o impulso de escrevinhar umas lérias.
Aos que continuam a seguir-me, admiro-lhes a paciência, aos que deixaram de o fazer, sigam com toda a sorte por melhores caminhos, aos que entretanto chegarem, bem vindos!
No fim, Obrigado a todos!

sábado, 9 de maio de 2015

ESCREVINHATÓRIO (10) - Poesia desfeita


Porque caminho nesta estrada
ausente de todas as coisas
com a alma tão molhada
encostado às paredes de branco sujas
dormindo sobre a memória
tentado a poesia em desacertos de lápis
escrevendo no intervalo incerto dos pombos
uma insónia algemada aos olhos
todas as medidas e nenhuma unidade
os momentos fora do tempo
os relógios a desintegrar-se sem estrondo
voam os seus ponteiros em zigue-zagues de pó
não há gente
não há noite
sombras soltas no chão à procura dos donos
desenhos a apagar-se dos papeis
aviões que não chegam porque não partem
cadeiras vazias em multidões de sons
pernas desligadas dos corpos
cigarros que se penduram nas bocas de gente
tantos céus a apontar aos dedos
nuvens sucessivas nos sopros
rolos de fumo azul em fogueiras de água
arco-íris secos sobre um mar plano
tudo naquela quietude agitada dos vazios
tudo enquanto a estrada foge por entre as paredes ásperas
que as minhas mãos tocam fugindo
tudo no afago dos passos.

OS CONSERVADORES EM FORMA DE HORROR


Que horror!
Os conservadores ganharam umas eleições, com maioria absoluta, num dos mais importantes países europeus.
Aquela gente não se enxerga! Para além de não tomarem banho muitas vezes, de serem uns fleumáticos do pior, ensimesmados lá nas ilhas deles e mais não sei quê!...
...Então não era melhor para eles a eleição de um governo menos austeritário? Que distribuísse mais? Que apoiasse mais? Que desse mais esperança? Que cortasse com a pressão? Com o negativismo?
As pessoas têm o que escolhem e o que merecem e andam sempre a queixar-se, pá!