quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

DUAS INOCENTES NOTAS


1 - Na televisão, ao almoço, Eanes aconselha à antecipação das eleições. Tudo normal não fora, enquanto Eanes falava, desfilarem imagens da entronização de António Costa no conclave do PS, no passado domingo.
Como é óbvio, esta coincidência não é inocente.

2 - Pouco depois, surge também na mesma televisão, o deputado também do PS, João Galamba, dizendo coisas que o barulho da sala não permitia ouvir, mas que - e não é de hoje - permitem-me adivinhar que num futuro governo PS, daqui a uns meses, poderá estar ali um potencial Ministro das Finanças, tal é a assertividade, a inocência  e a certeza do deputado a falar.
Agora, o que eu tenho é sérias reservas sobre o efeito prático que as palavras "sábias" do deputado poderão ter no país e nas nossas vidas.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

500


... é o número de "postas" que o Calhau com Olhos acaba de alcançar, 3 anos e picos depois de o ter "parido".
Como alguém seguramente sapiente disse um dia: "Não é bom nem mau, antes pelo contrário!"
O que é que eu posso dizer numa ocasião destas?
Não sei. Nada.
Ou então vou pelas curiosidades:
Posta mais vista, de entre as 500 agora atingidas: Esta, com fotografias de um temporal no mar, aqui na costa sul da Madeira: 11 523 visualizações.
A menos vista, é esta, que segundo o contador do próprio blogger teve apenas 3 visualizações e se calhar percebe-se porquê...
Ao todo, já se registam quase 28 mil visitas e 54 100 visualizações. Pobrete mas alegrete!
Fica o compromisso de tentar escrever mais aqui e menos nas redes sociais, de onde aliás me estou a afastar todos os dias mais.
Obrigado a todos os que me seguem, vendo as fotos que publico (e já são muitas centenas) e se dão também ao trabalho de me ler, coisa que nem sempre é fácil...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O MUNDO


Ontem, ao assistir por proximidade a um pouco de televisão, observei a extrema elegância da grelha publicitária que, a dada altura, nos bombardeia com imagens de crianças africanas subnutridas e em que a UNICEF apelava à boa vontade do espectador para que contribua para acabar com este injustíssimo flagelo, que nos torna a todos "menores".
As imagens eram intensas e com carga dramática suficiente para nos lembrar que para lá da nossa "(má?) vida", há outras vidas absolutamente piores!
Depois deste, o anúncio que se seguiu tratou de terraplanar autênticamente a consciência entretanto colocada em alerta, ao vender um belo automóvel, uma peça de luxo - em bom rigor - como se nada fosse.

domingo, 30 de novembro de 2014

ÀS COSTAS DE ANTÓNIO


Pelo (muito) pouco que espreitei do Congresso do PS, percebi o essencial, sem que para tal seja preciso ter especiais dotes.
Podemos dormir tranquilos que, quando António Costa e o seu PS tomarem o poder daqui a menos de um ano, Portugal mater-se á no registo habitual dos governos PS.
No princípio um mar de rosas, no meio nada de novo e no fim, o país pior do que quando o receberam.
E neste caso a tarefa de piorar não será fácil. Mas eles conseguirão.

O ESPELHO

Há uma parede de vidro incompleta, interrompida por uma porta de madeira áspera, acossada pelo tempo, cujo verniz estalado e já sem brilhos esvoaçou à força dos dedos impacientes de que são feitos todos os compassos de espera, quando raspam nas portas porque não podem raspar os segundos, os minutos ou as horas que se repetem em círculos sem enjoo, há uma parede de vidro incompleta, um vidro que é espelho e nele tu, sentado a um canto da cama de madeira, entalando a cabeça entre a virtude das mãos e as ondas dos seus e teus dedos, os teus olhos colocados no chão, martelando pregos, envernizando os riscos, contabilizando grãos de pó e tufos teimosos de cotão no soalho
     quantas patas tem a formiga que por ele passa?
a respiração num silêncio noturno, num peso de toneladas, o dedo grande do pé irrequieto a experimentar a resistência do chinelo e daí a pouco um buraco na meia e fora de ti, ao redor da tua figura, as coisas se desarrumam sem aviso por cima dos móveis escassos e quase velhos, o teu retrato acinzentado em cima da mesa de cabeceira, sorrindo tímido a aves invisíveis que cruzam um céu aberto, aves que nem sequer voam ou talvez voem apenas na tua cabeça entalada pelas mãos que encimam os braços cujos cotovelos nas pernas, sem dor, o corpo a balouçar em vai e vens sem ritmo certo enquanto na cabeça se amontoam palavras cheias de letras que significam nada, palavras que significam outras palavras que se desconhecem umas às outras, permanecendo mudas e inexpressivas, com olhares parado juntos aos respetivos muros que as defendem de si e das outras
     e felizmente que ninguém as lê, pensas
impotentes também para subir os muros e quando os sobem, temerosas de os saltar, palavras connosco e contigo dentro, com medo, com raiva, com revolta, com loucura umas vezes, com risos desbragados outras, com ironias de bilros
     e felizmente que ninguém lê isto, afirmas
e não sabem elas próprias se dementes e a demência um estado de muitos sítios, em mil lugares, em mil passagens pelos dias, a socorrida matriz de esperança e a do desespero, o claro e o escuro, a negação e a afirmação, o nu e o vestido, a coragem e o medo
     quanto medo existe dentro da coragem?
as patas milimétricas da formiga no chão de madeira, os dez dedos, as duas mãos, os móveis já não novos, a fotografia acinzentada com aves não aves, a porta sem verniz que dedos sem paciência coçaram e com eles o tempo que a acossou
     quanta coragem existe dentro do medo?
e do lado de fora dela a rua e os seus caminhos cruzados, as árvores cumprimentando o vento, os carros afoitos no preto do alcatrão e dentro deles pessoas e respetivos rostos
     o texto já grande e ninguém lê isto
e o que eles guardam por dentro dos ossos, o que eles escondem nos gritos, o que eles revelam no silêncio que guardam atrás dos olhos, por dentro das orelhas, trancado na boca, preso na garganta, digerido no estômago, percebendo-se sempre a guerra de que somos feitos, vendo-se os limbos onde nos equilibramos todos os dias entre o riso e a lágrima, entre a fome e a sede, a luz e o escuro
     e felizmente que ninguém lê isto, repito
a fugir das sombras e se não a fugir, a alterá-las com lápis e borracha, acrescentando luz, subtraindo escuros, arriscando novas formas, sorteando a coragem e o medo entretanto fechados num saco escuro que os mágicos agitam por entre truques e pombas brancas, coelhos e lenços, espantos e admirações, congregando palmas e executando vénias e no entanto apenas a o que passa pela tua cabeça entalada por entre as mãos e o ondulado dos seus e teus dedos, os olhos colocados no chão
     seis patas tem a formiga que por ele passa
a porta raspada, a impaciência do tempo sempre redondo nos relógios, sem esquinas, sem ângulos, sempre em raio constante e em voltas cansadas umas das outras e a parede de vidro incompleta, um vidro que é espelho, o canto da cama deserto, os poucos e parcos móveis, o retrato já não acinzentado e ninguém nele, nem sorriso, nem tímido nem aves invisíveis, porque o tempo se soltou do redondo dos relógios e segue a direito rumo a si mesmo.

©AL.Nov2014

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

UM SENHOR - II


Morreu Anthímio de Azevedo.
Se hoje eu adoro e me interesso por tudo o que diz respeito à meteorologia, devo-o em muito a este senhor.
Lembro-me que ele não se limitava a debitar uns preciosismos técnicos sobre meteorologia, pespegados em quadros de giz, apontados por uma espécie de antena que avançava e recolhia a gesto de braços
     como numa escola qualquer, não mão de um professor
eventualmente longe da compreensão comum, mas era um pedagogo, uma vez que nos ensinava a perceber o porquê das coisas, a interpretar o intrincado das isóbaras, dos centros de altas e baixas pressões, do anticiclone dos Açores, o conceito de frente fria e quente, o famoso ar pós-frontal, etc.
Com o advento das televisões privadas, os meteorologistas foram substituídos por meninas cujo objetivo não era tanto explicar o tempo, mas exibir os trapos que os costureiros e lojas de roupa as faziam envergar, fossem ou não generosos em tecido
     a maior parte da vezes não eram
verdadeiros mecenas do tempo, como se eles determinassem por patrocínio feito por entre saias, blusas, calças e casacos de desing, os caprichos do tempo, frio ou calor, sol ou chuva, vento ou calmaria, arredando inclusivamente o S. Pedro do seu posto de decisão.
Depois de passada a moda das meninas encaloradas, eram os próprios pivôs dos telejornais que asseguravam a coisa, com aquele ar seco e circunspecto de quem dá uma notícia sobre uma discussão entre vizinhos, ou um acidente na autoestrada, tudo agravado pela evidente ignorância face ao assunto que "explicavam".
Até a RTP, dita de "serviço púb(l)ico" acabou por despachar os meteorologistas, substituindo-os recentemente por algo pouco mais que indizível.
Com a generalização da internet, temos acesso ao estado do tempo em todo o lado a qualquer hora.
Os que sabem e entendem, provavelmente aprenderam muito com o que homens como Anthímio de Azevedo ensinaram
     ensinaram é o termo!
os que se limitam a ver e ler o que alguns sites de meteorologia debitam sem preceber por aí além o que estão a ler/ver, não sabem o que perderam.
RIP!

domingo, 16 de novembro de 2014

UM SENHOR


Um dos melhores Ministros do que resta deste "governo", saíu. 
Não me interessa se tem ou não culpa no podre que gravita em torno do(s) poder(es)
Deixa claro que há ainda Homens honrados.
Deixa exemplo a outros, leia-se da Educação e da Justiça, Portas... que perante as trapalhadas ou assobiaram ou foram postos a assobiar.
Deixa claro que,  para quem ainda duvida, o país está podre.
Deixa claro que é cada vez mais difícl acreditar em quem nos "governa".

DOS DIAS NO CALHAU (113)

Várias fotografias, obtidas nas últimas semanas.













domingo, 9 de novembro de 2014

A MINHA RELAÇÃO COM ANTÓNIO LOBO ANTUNES


Terminei há dias a leitura de mais um livro de António Lobo Antunes (ALA).
Comecei a ler ALA em 1998, com "A morte de Carlos Gardel". De então para cá, já li mais 11 livros da sua autoria - Os 4 livros de Crónicas, "Memória de Elefante", "Exortação aos Crocodilos", "Não entres tão depressa nessa noite escura", "O meu nome é legião", "O arquipélago da Insónia", "Que cavalos são aqueles que fazem sobra no mar", "Sôbolos rios que vão" e "Comissão das Lágrimas", terminado de ler há dois dias.
ALA é muito "difícil" de ler. Entra-se facilmente em "guerra" com ele, com a forma com que escreve as coisas, com o (bom) esforço que é necessário fazer para conseguir "dominar" as suas frases. Cansa. Exige o tal esforço, mas é multi-recompensado, porque entramos nos livros, percebemos a cor e textura das frases e palavras, os seus ecos. Nós estamos ali. Somos um pouco protagonistas das suas histórias.
ALA é uma espécie de Saramago, (em termos de estatuto) só que sem a sombra de posição política deste e com um "estilo" próprio, mas sem Nobel, facto que, sinceramente, não acho grave. O Prémio Nobel não é assim algo de tão importante que faça um escritor (no caso) ser melhor ou pior. Quem escreve, não o faz a pensar nesse prémio, ou em quaisquer outros.
Já passei por períodos de euforia com os seus livros, em que os li de forma quase compulsiva, mas também já passei por períodos de total nojo e repulsa. Cheguei a estar praticamente 4 anos sem pensar em ler o que quer que fosse escrito por ele. E estive. E não li.
Este último que li e que terminei há dias - "Comissão das Lágrimas" - é uma incursão lancinante à guerra do ultramar, em Angola, às "memórias de uma mulher torturada", memórias que se atropelam por entre cadáveres, balas, capim, musseques, brancos, pretos, pessoas que por ali andam a flutuar por entre as palavras, locais, geografias, paisagens que se derretem umas nas outras.
Demorei 5 meses para ler o livro de 326 páginas. Demorei porque há dias em que é impossível ler ALA e, por isso, tem de se esperar até ser possível fazê-lo de novo.
Apesar da sua dificuldade, a escrita de Lobo Antunes tem-nos lá dentro. Somos nós noutras pessoas, noutros locais, noutros quadros. Mas estamos lá, por entre uma certa "demência" que transpira da organização das frases e das palavras de que são feitas.
Já por 3 ou 4 vezes estive em apresentações de livros seus. Numa delas, em Caldas da Rainha, algures em 2004, troquei breves palavras com ALA. Disse-lhe que escrevia. Ele, simpaticamente ou não, respondeu-me, enquanto autografava o livro que lhe havia dado a autografar:
" - Escreva! Mesmo que seja só você a gostar do que escreve! Se achar mau, não desita!"